Segredos de um projeto de iluminação
Um bom projeto luminotécnico deve levar em conta basicamente duas coisas: o uso do espaço e tudo o que queremos valorizar nele.
Num living, por exemplo, uma iluminação equilibrada deve mesclar uma luz geral e difusa para a execução de tarefas - como a do lustre sobre a mesa de jantar - com outras mais focadas - na mesa de centro, numa escultura ou num quadro na parede. Isso significa pelo menos três circuitos independentes (na sala da foto, de 58 m², o arquiteto usou oito circuitos). Os novos sistemas de automação e dimerização permitem fazer combinações entre os circuitos, graduar a intensidade das lâmpadas e, assim, criar uma variedade de cenas para diferentes usos. São tantos os recursos tecnológicos a nossa disposição que é necessário a ajuda de um especialista. A boa notícia é que a maioria das lojas do ramo conta com arquitetos e light designers preparados para orientar o cliente.
Cenas personalizadas
As paredes que separavam estar e jantar desta sala vieram abaixo e o projeto de iluminação ajudou a integrar os ambientes. O arquiteto Marcelo Rosset criou cenas com atmosferas distintas e usou um sistema de automatização da Scenario.
1. Spots quadrados com dicróicas iluminam a parede, que rebate a luz para a sala. “Dirigir a luz para a parede é uma boa maneira de obter uma luz difusa”, diz Rosset.
2. As mesas de centro ganham destaque por meio de focos de luz concentrados das lâmpadas AR 70, instaladas em luminárias metálicas presas à laje.
3. Criado por Rosset em parceria com a Bertolucci, o lustre emana uma luz difusa para o jantar. Arandelas com dicróicas embutidas na parede criam uma luz indireta.
4. Como contraponto à luz difusa do lustre e das paredes, lâmpadas AR 70 com facho de luz bem fechado destacam o aparador no ambiente de jantar.
5. No bar, lâmpadas halógenas atrás do painel de acrílico viram um fundo iluminado para as garrafas. Do outro lado da estante, spots embutidos destacam os objetos.
6. Em frente à estante do home theater, o circuito com três dicróicas é aceso na hora de escolher o DVD e arrumar as prateleiras. É a chamada luz de serviço.
7. Instaladas na sanca, mangueiras de luz incandescente distribuem uma iluminação uniforme e amarelada que acentua os diferentes planos do forro de gesso.
8. Na sala de jantar, duas paredes opostas recebem os fachos concentrados e brilhantes de lâmpadas dicróicas e refletem a luz para o ambiente de maneira uniforme.Foto 2 de 14
Cenas diferentes com um simples toque
Moradora de um loft em São Paulo, a arquiteta Consuelo Jorge ressalta a praticidade que a automação do sistema de iluminação oferece. "Da cabeceira da minha cama, desligo a luz de toda a casa", afirma. Mas do que ela gosta mesmo é a versatilidade do equipamento ao criar climas de acordo com seu humor e sua necessidade. "Uma das minhas cenas preferidas, que eu chamo de 'jantar à luz de velas', acende as luminárias do jardim e poucas luzes na sala", explica. Sem dúvida, a maior vantagem desse tipo de automação é oferecer comodidade ao usuário, que pode mudar o clima do ambiente com apenas um toque. "Ao pressionar o botão do teclado ou controle remoto, ele estará acionando, de uma só vez, conjuntos de lâmpadas que correspondem a circuitos específicos", explica João Jorge Gomes, da Scenario, empresa especializada no assunto. Segundo o light designer Rodrigo Jardim, da Synapse, a automação é uma grande aliada na criação de um projeto em conformidade com a personalidade do morador. "É como se fôssemos diretores de cena de um teatro", explica. Outra vantagem do controle automatizado é que ele regula a intensidade de luz das lâmpadas (dimerização) e assim economiza energia. A desvantagem fica por conta do elevado custo do equipamento. "Além disso, a automação não é muito útil em apartamentos pequenos, com poucos circuitos", explica o arquiteto Gilberto Franco. Nesse caso, ele recomenda o dimmer simples como um recurso para multiplicar os efeitos de luz nos ambientes.
Painel de Automação
Dicas para economizar energia
Dispositivo que permite controlar a intensidade de luz, o dimmer reduz o consumo de energia e, de quebra, aumenta a durabilidade da lâmpada. "Os modelos eletrônicos permitem uma economia ainda maior", explica Cláudia Garcia, da Delmak, empresa que comercializa a marca americana Lutron (especializada em automação e dimerização). A escolha de lâmpadas também influenciao consumo. As fluorescentes consomem, em média, 80% menos que as incandescentes. "Por isso, devem ser empregadas em ambientes onde a luz fica acesa mais de quatro horas por dia, como áreas de serviço", explica Marc Vam Riel, da La Lampe. Para Marc, em áreas sociais, como salas de estar, usadas por poucas horas durante a semana, as lâmpadas fluorescentes podem ser evitadas. "Sua reprodução de cores é inferior à das halógenas e incandescentes", acrescenta. Encontrado apenas nas fluorescentes compactas, o selo Procel Inmetro, colado no cartucho da lâmpada, reconhece que o produto é econômico e tem um padrão de eficiência aprovado pela Cepel (Centro de Pesquisas de Energia Elétrica).
Dimmer
De olho nas lâmpadas
As prateleiras das lojas expõem uma variedade incrível de modelos. Todos eles, porém, pertencem a uma das três famílias: incandescentes (as mais comuns), fluorescentes (as mais econômicas) e halógenas (as mais sofisticadas).
Fluorescente
Incandescente
Dicróica
Halógena
Halógena palito
Halógena AR
Halógena PAR
Efeitos especiais
Alguns efeitos básicos combinados garantem uma boa iluminação e trazem
conforto sem que o morador se dê conta. "O melhor projeto de iluminação é
aquele em que nem parece existir um projeto", diz Ricardo Heder, da Reka.
Luz para baixo (downlight)
Luz para cima (uplight)
Luz nas paredes (wallwash)
Referência: http://casa.abril.com.br/canais/iluminacao/iluminacao_213801.shtml



















